Lições da Room to Read sobre Desenvolvimento no Terceiro Setor
Comentei em um texto anterior minha admiração por John Wood, um alto executivo da Microsoft que largou a carreira para construir escolas e bibliotecas no Nepal. Em seu livro conta histórias e oferece algumas lições valiosíssimas, e estas, quero compartilhar com vocês.
Apresente Resultados
A Microsoft (principalmente Steve Ballmer) ajudou John a sempre se manter focado em resultados e números. Cedo ele percebeu que mostrar claramente para as pessoas o que era feito com o dinheiro doado as motivava a doar mais e a contar aos amigos sobre o projeto.
A Room to Read criou boletins trimestrais e listas de e-mail para informar constantemente aos doadores e interessados o que acontecia com o dinheiro recebido, além de reduzir ao máximo os custos com burocracia e tornar todo o processo transparente aos doadores.
Pensar Grande
Quando John ajudou a realizar a primeira biblioteca no Nepal ele pensou em todas as crianças que precisavam de bibliotecas e se perguntou por que não estender o projeto para outros países. Pensar grande foi o ponto de partida para que ele pudesse traçar planos ambiciosos e trazer para junto de si pessoas que também queriam realizar grandes coisas.
Com metas altas também pode ser mais fácil atrair grandes investidores e a atenção da mídia.
Foco na Arrecadação de Verbas
John sempre soube que haviam muitas organizações filantrópicas, muitas idéias e projetos excelentes. Mas o que ele tinha como grande diferencial era a certeza que precisaria de muitos recursos para desenvolver os projetos que vislumbrava. Não adiantava ter boas idéias e trabalhar por uma causa sem antes se preocupar com a captação de recursos. Esse diferencial ajudou a Room to Read a crescer vertiginosamente logo nos primeiros dois anos e a construir mais de 290 escolas em poucos anos.
Permita que as pessoas sejam também “donas” do Projeto
Construir uma escola no Nepal custava em torno de 8.000 dólares. Esse valor permitia que muitos doadores patrocinassem escolas inteiras e dessem seus nomes a elas como forma de homenagear seus pais ou amigos. John lhes enviava fotos e contava histórias que permitiam aos doadores se sentirem parte do projeto. Outra grande força do modelo da Room to Read é a rede de voluntários que criava-se espontaneamente, sendo necessário apenas vontade e que as pessoas estivessem verdadeiramente de acordo com a filosofia e objetivos da ONG. Sem dúvida esse trabalho fazia com que os voluntários se sentissem altamente envolvidos, afinal, não eram controlados, estavam alí para poder exercer todo o seu potencial humano.
A comunidade precisa se sentir responsável
Muitas das escolas desenvolvidas pelo Room to Road tiveram mão de obra dos próprios moradores dos locais aonde eram construídas. Uma dessas escolas foi construída com a doação de 183 famílias da região, cada uma no valor equivalente a 5 dólares. Essa participação faz com que os projetos continuem rendendo frutos no médio e longo prazo pois a comunidade participa, apóia e continuará trabalhando para melhorar o que já existe.
Uma das histórias que mais me emocionou foi uma menina de 8 anos que arrecadou fundos junto aos familiares e amigos para a contrução de uma escola no Nepal. Após isso, ela desejou continuar fazendo ainda mais e organizou uma rifa para que arrecadasse o suficiente para construir outra escola.


Comentários Recentes